Sente-se Disfuncional Outra Vez?

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Já passou por isto?

Começa com determinação. Um novo livro, uma inscrição no ginásio, um programa.

Dias ou semanas depois, a motivação abranda. O hábito desaparece — ou é substituído por outro que traz aquela sensação de é mesmo isto.

E depois passa. E o ciclo recomeça.

Não sei quantos livros de auto-ajuda leram. No meu caso já foram alguns — e confesso abertamente que poucos foram aqueles que terminei.

A conclusão habitual é que há algo de errado. Que somos disfuncionais. Que os outros conseguem e nós não.

Mas não é isso.

O problema não somos nós

O que descobri — em mim e nas pessoas que acompanho — é que o problema raramente é a falta de vontade.

É o modelo.

Vivemos num modelo de tempo linear. Herdado da revolução industrial. Primeiro o A, depois o B, depois o C. Se saltam para o C sem passar pelo B, a máquina avaria.

Este modelo funciona numa linha de montagem, mas na vida humana, funciona menos bem.

O modelo que existia antes

Antes da industrialização, o modelo dominante era circular.

Na agricultura, na pesca, na carpintaria — tudo seguia os ciclos da natureza. Não havia um ponto de chegada, havia um ritmo. Cada estação preparava a seguinte. Cada fim era também um início.

Observem como uma criança se aproxima de um livro ou de uma actividade — raramente de forma linear, mas sim de forma livre, curiosa, sem pressão de chegar a algum lado.

A circularidade permite recomeçar. Não como falha — como aquilo que espelha o que são os ciclos naturais.

Os ciclos estão também dentro de nós

Cada início de dia é como a primavera — potencial, criatividade, arranque.

O meio do dia é como o verão — expansão, produção, visibilidade.

O final da tarde é como o outono — recolha, reflexão, abrandamento.

A noite é como o inverno — repouso, silêncio, regeneração.

E a pergunta que raramente se faz antes de começar um novo hábito é simples: em que estação estou agora?

Se o corpo pede outono — receptividade, descanso, escuta — e começamos um hábito que exige primavera — expansão, energia, arranque — o esforço será sempre maior do que o necessário.

Não porque sejamos fracos. Porque estamos a remar contra a maré do nosso próprio ciclo.

Boas práticas

Lourenço de Azevedo