Respirar 24h por dia

·

Parei para abastecer, a caminho de casa.

Ia a pensar num curso de respiração. Se valia a pena. Se acrescentaria alguma coisa à minha prática de Chi Kung, depois de 25 anos.

Enchi o depósito. Fui pagar.

Duas pessoas à minha frente, na fila.

A primeira respirava pela boca. Sem esforço nenhum prévio — não vinha de uma corrida, não estava a carregar nada. Só ali, parada, a respirar como quem sobe uma escada.

A segunda tinha o queixo apertado. Os ombros subiam a cada respiração, ficavam um instante lá em cima, e desciam devagar.

Cheguei à caixa.

A pessoa que me atendeu respirava pelo nariz. Calma. Regular.

Fiquei a reparar nisso. Só a observar.

E então, sem razão nenhuma, inalou fundo. Pela boca.

Foi ali que decidi: vou fazer o curso.

O número que não me saiu da cabeça

Não foi o currículo do curso que me convenceu. Foi a fila para pagar o combustível.

Porque aquelas três pessoas não pareciam doentes, nem em crise. Estavam só a viver uma terça-feira qualquer, à espera da sua vez. Mas respiravam como se estivessem.

Fiz as contas no carro, a caminho de casa.

Uma hora de treino por dia — já mais do que a maioria de nós alguma vez faz — deixa 23 horas em que o corpo fica por conta própria.

96% do dia.

Enquanto escrevia este artigo…

A meio, dei por mim com a tendência a abrir a boca para respirar. O mesmo impulso da fila da bomba de gasolina — só que desta vez era eu, sentado no chão, a escrever sobre isto mesmo.

A diferença entre aquelas três pessoas e mim, naquele momento, não foi a respiração. Foi ter tomado consciência de um impulso que, no passado, me teria passado despercebido.

É essa a competência que se treina. Não é respirar bem o dia inteiro — ninguém consegue isso. Mesmo eu, depois de quase 30 anos de prática, observo-me diariamente e continuo a encontrar pontos que posso refinar.

A questão é estar consciente deste impulso cada vez mais cedo. E, a partir daí, ter uma ferramenta para voltar a respirar de forma mais funcional.

É por isso que isto não se resolve numa sessão, num curso, numa hora marcada. Resolve-se nos outros 96%. Onde quer que estejas — mesmo a meio de uma frase que se está a escrever.

Um amigo meu costuma dizer que treinar numa sessão é como ler um livro; treinar fora dela é como escrevê-lo — é aí que a prática se funde com a vida.

No breath.pt/respirar há um cronómetro sempre disponível, gratuito — não para substituir a hora que já treinas, mas para lhe fazer companhia no resto do dia. Nesses momentos em que o corpo pede para voltar a um estado mais regulado, e o único curso que precisas é reparar a tempo.

Boas práticas

Lourenço de Azevedo