Todas as semanas, enquanto espero pelo meu filho no jiu jitsu, vou treinar Chi Kung, ao meu ritmo, para o espaço de crossfit onde o dojo está instalado.
E durante os momentos mais contemplativos da minha prática é possível observar os atletas desse ginásio.
O que vejo é impressionante — não só pela força e pela resistência, mas pelo esforço. Corpos levados ao limite. E em quase todos, a respiração a funcionar em modo de emergência: boca aberta, hiperventilação, o sistema nervoso em alerta máximo.
Estão lá excelentes atletas, sem dúvida.
Mas o que observo do outro lado — no dia a dia, longe do ginásio — não é assim tão diferente. A mente em esforço máximo, a correr de tarefa em tarefa. E a respiração? A mesma: retida, pela boca, esquecida. A postura colapsada sobre o computador ou o telemóvel.
Contextos diferentes. O mesmo padrão.
A busca da integração
Há uma vontade, que aparece de formas variadas, de ligar o corpo à mente.
Mesmo no yoga, na meditação, em certas práticas de movimento — a respiração está lá, integrada no caminho.
Mas o que observo é que esta integração tende a ficar no tapete, na aula, no retiro. Quando se regressa ao dia a dia, o modo automático reinstala-se.
Boca aberta. Respiração retida. Postura esquecida. Mente a correr.
E os dois polos continuam separados.
O lugar intermédio
A respiração tem uma característica que nenhum outro sistema do corpo tem.
Acontece no corpo, mas responde aos pensamentos. Muda com as emoções, mas pode ser conscientemente regulada. É o único sistema autónomo do corpo que também pode ser voluntariamente dirigido.
É esse lugar intermédio que a torna o elo natural entre o corpo e a mente.
O que tenho observado — na minha prática e no trabalho com outras pessoas — é que quando a respiração é trabalhada de forma consistente, algo muda. Não apenas no corpo. Não apenas na mente. Na ligação entre os dois.
No ginásio, a mente fica mais focada e o corpo responde com mais performance. À secretária, a resiliência aumenta e a clareza mental surge com menos esforço. Dois contextos diferentes. A mesma respiração a fazer a ligação.
Esta ligação é dinâmica. Não existe um momento em que a adquirimos e já não precisa de atenção.
Não é algo que se adquire — é algo que se nutre.
Recordo um momento recente antes de uma palestra em que comecei a sentir aquele nervoso miudinho. A mente a antecipar o que falta, o que pode falhar, o tempo que não chega. O coração a sentir-se mais que o habitual. É um lugar que às vezes me visita — e que não desaparece com os anos de prática.
A diferença que observo ao longo do tempo não é a ausência dessa tensão. É que em menos de dez respirações conscientes, a ancoragem aconteceu. E foi a partir daí que consegui estar presente.
Não ficamos imunes — ficamos com mais recursos para utilizar quando é necessário.
Não como um estado especial reservado à almofada de meditação ou aos grandes mestres. Mas como uma qualidade que começa a atravessar o dia.
E está disponível em cada respiração que realizamos.
Boas práticas
Lourenço de Azevedo