O Problema Não é a Falta de Vontade

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Há um padrão que vejo repetir-se há mais de 25 anos — e que inclusive já aconteceu comigo.

Alguém chega ao final de um período de vida difícil — de trabalho, de cuidar dos outros, de dar mais do que recebeu — e decide que este é o momento para fazer a mudança que a sua vida pede.

Inscreve-se num ginásio. Compra um programa. Compra um livro de auto-ajuda. Recomeça com determinação.

Com a determinação de que aquela acção vai reverter os meses ou semanas de desassossego e cansaço.

No entanto, duas semanas depois parou — ainda com mais cansaço acrescido.

Não por falta de vontade mas por falta de energia para sustentar o que começou.

Quando a cabeça falha

Existe uma diferença entre a energia que imaginamos ter e a energia que realmente temos disponível.

A cabeça planeia com entusiasmo. O corpo responde com a energia que de facto está disponível.

A realidade encontra a imaginação.

A cabeça olha para o futuro e para a promessa de um registo de vida diferente. O corpo necessita de tempo e espaço — e de gerir não só um novo gasto energético, mas também os gastos que já existem. Porque a vida antiga não parou. Continua a pedir atenção.

E quando não há este alinhamento entre os dois, o começo torna-se mais um episódio numa lista já longa de recomeços — cada um deles seguido de mais culpa, mais frustração, e mais distância em relação ao que realmente se precisa.

O problema não é a escolha errada. É o ponto de partida que nem sempre coincide com o que pensamos necessitar e com a energia que efectivamente temos disponível.

Quem consegue vencer?

Há algo que a história repete com uma regularidade surpreendente.

Exércitos em minoria que vencem batalhas contra forças muito maiores. Doentes que recuperam de diagnósticos que pareciam definitivos. Pessoas que reconstroem as suas vidas a partir de pontos que outros considerariam o fim.

O que têm em comum não é a força. É a estratégia.

Não desperdiçam energia no que não é essencial. Não tentam fazer tudo ao mesmo tempo. Focam-se numa coisa — limpa, clara, repetida — e é essa disciplina simples que cria as condições para recuperar.

Quem vence raramente é o mais inteligente mas sim o mais persistente, especialmente aquele que persiste com uma gestão correcta dos recursos que tem.

O que os define não é um talento especial. É a capacidade de reconhecer onde estão, o que têm disponível, e de agir a partir daí — sem esperar ter mais força do que a que existe agora.

Esta capacidade não é rara. É humana. E está disponível para qualquer pessoa que decida usá-la.

Ou seja, não é necessário ter muita energia para começar. É preciso ter a estratégia certa que permita dar o primeiro passo.

Uma prática limpa, focada no essencial, sem exigir mais do que o que está disponível — essa é a que cria as condições para recuperar. Não é a mais ambiciosa que funciona. É a mais adequada ao momento.

A mais adequada e que ressoa consigo.

Boas práticas

Lourenço de Azevedo